segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Capítulo 2 - Manhê, Pronto!

Era seu filho de 3 anos. Demorou para conseguir abrir a porta, mas o fez. Aproximou-se do vaso, teve dificuldades para arriar as calças. Esforçou-se para conseguir subir. Logo ajeitou a bundinha no buraco da privada. Adrem só podia observar, temendo o que viria em seguida. Já limpara a bunda do próprio filho, portanto não era nenhuma novidade, mas aquela situação propriamente dita era nova. Nosso amigo só conseguia enxergar porque havia uma fresta, pois o pequenino bumbum não conseguira tampar totalmente o buraco da privada. O filho se balançava, parece que brincando, enquanto esperava seu próprio organismo trabalhar. Nem fez muita força para começar a expelir um cocozinho amarelo, minúsculo. Quase não valia a pena ter se submetido a ir no banheiro para fazer aquilo. Adrem Ococ apenas esperava e olhava, sem ter a esperança de conseguir se movimentar. Talvez uma pequena expectativa de acordar do provável sonho ainda existisse, talvez não. A única coisa que realmente o incomodava, além do cheiro que antes já era insuportável e que havia ficado ainda mais, era a idéia de que teria de disputar espaço com fezes de outra pessoa; tudo bem, essa outra pessoa era o seu próprio filho, e ele mesmo era, naquele momento, um merda, literalmente, mas quem teria coragem de praticamente beijar o cocô alheio, mesmo que fosse familiar?
Antes mesmo que aquele ser amarelinho saísse do corpo do menino, algo meio inesperado aconteceu: Adrem não esperava levar uma mijada do próprio filho! Em algum momento da vida já havia feito esse negócio de mijar e cagar ao mesmo tempo, pois parece que o chamado "número 2" ativa também o "número 1" de uma forma meio inexplicável. Entretanto, aquilo também acontecia com crianças, não só com os adultos, preguiçosos e envoltos pelo capitalismo de uma forma tão cabal que até dentro do banheiro necessitam de algum modo de economizar tempo? É, a sociedade só podia estar perdida!
Nosso cocô-mor sentiu aquele líquido meio esbranquiçado atingir toda a superfície de sua estrutura pastosa e esquentá-la. Se tivesse uma boca poderia ter vomitado, pois o sentimento de asco o tomara. Mal pôde se recuperar daquela mijada e o cocô filial o atingiu logo em seguida, para completar a angústia de nosso companheiro.Chegou a se arrepender por ter pedido à mulher para fazer um risoto no almoço do dia anterior. Lembrou vagamente daquela refeição e seu sofrimento foi ainda maior.
Seu filho deu um pulinho para sair da patente e não precisou pensar muito para dar aquele famoso gritinho:

- Manhê, pronto!!!
- Já vou! Gritou a mãe.

A mulher foi até o banheiro, puxou o papel higiênico de forma habilidosa, virou a bundinha do menino e a limpou; repetiu o gesto mais algumas vezes para garantir a limpeza total. Puxou a cuequinha dele, subiu a calça e o liberou. O menino saiu como um raio do banheiro, louco para voltar a brincar com seus soldadinhos iraquianos, comprados na lojinha de 1,99 da esquina. Já a mulher levou um susto ao olhar para o interior da privada:

- Nossa, esse cocozão aí não é do meu filho! Mas é um jaguara o Adrem, caga e não tem coragem de puxar a descarga! Adrem estava ali, imóvel, ainda com ânsia devido ao cheiro, o qual se unira com o odor comum a vasos sanitários. O pior era que não apenas sentia o cheiro daquilo, mas percebia a sua composição através do tato, bem como experimentava aquele sabor inimaginável.

Sua mulher olhava fixamente para a privada. Parecia irritada, pois acreditava que o marido, com fama de preguiçoso e cagão nato, tinha feito aquela monstruosidade e não havia tido coragem de puxar a descarga. Puxar a descarga...pensou Adrem. Oh não! A idéia o assustou. O que poderia acontecer caso sua esposa puxasse a descarga? Para onde ele iria, para o esgoto?! O que aconteceria lá?! Mas e se ficasse preso no encanamento, visto sua espessura nada comum a um cocô de uma pessoa normal?!
Viu a mão da cônjuge ir em direção da cordinha. Seria aquele o fim?

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