segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Capítulo 1- Um cocozão

Numa manhã inóspita, ao despertar de sonhos nada agradáveis - os quais provavelmente foram consequência da bebedeira do dia anterior - Adrem Ococ deu por si no vaso sanitário transformado num imenso toletão descomunal.
Tentou acordar do pesadelo, mas parecia impossível aquilo. Não conseguia se movimentar, por mais que tentasse. Ainda detinha os cinco sentidos, pois podia enxergar o tão familiar azulejo manchado da parede do banheiro, o qual era para ser cor de gelo; conseguia sentir aquela água suja que o circundava; degustava o mesmo líquido asqueroso e ouvia os barulhinhos daquela sua estrutura pegajosa, quentinha e borbulhante. Como podia sentir nojo de si mesmo?
Estava certo que aquilo só poderia ser um sonho muito ruim. Como uma pessoa estaria naquela situação, enxergando por aquela perspectiva de dentro do próprio vaso sanitário? Além disso, o seu formato era grande, e seria quase impossível não ficar entalado no encanamento, caso alguém resolvesse puxar a descarga. Só que aquele tipo de pensamento parecia loucura para Adrem Ococ, pois a qualquer momento ele teria de despertar daquele pesadelo. Em meio às incertezas, elucubrações, quando ainda não podia acreditar no que estava acontecendo, um barulho desviou a atenção de nosso amigo: era o trinco da porta do banheiro se movimentando...

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